O meu querido Porto é rico em muitas coisas - uma delas são os padrões de desenhos que adornam as varandas de ferro.
Há um certo bairrismo em ter uma varanda com um padrão bonito a sorrir na janela a quem passa. E um certo jogo em perceber como os padrões são tão semelhantes e tão diferentes, os elementos mais comuns e as cores que lhes assentam mesmo bem e que normalmente são pintadas de forma tão espessa que se criam novos desenhos com a tinta acumulada.
Não tenho uma varanda, mas passei muitas horas da minha infância (e algumas de adulta, que agora o tempo não se digna a tantas calmarias), a sorrir de volta a este património de identidade própria.
Agora há muitos edifícios a serem restaurados e outros a ficarem ao tempo durante anos a fio. Vai-se um inconsciente "Espero que fiquem as varandas" na minha cabeça. Outras coisas também, que as gentes parecem ser expulsas das suas próprias vidas para onde não conhecem a sua história.
Sim, já sei minha gente, as outras cidades também têm. Mas eu passei a minha infância no Porto e é no Porto que elas me são queridas e trazem memórias bonitas.
Espero que fiquem as varandas. E que as gentes possam voltar.
